terça-feira, 17 de março de 2015

ACEITA, QUE DÓI MENOS!

Eu juro que não consigo entender como um beijo deixa tanta gente preocupada!

O assunto das redes sociais hoje, foi o beijo entre os personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na estreia da novela de ontem.

Eu não sei se foi mensagem subliminar ou se essa Babilônia da novela, é uma cópia pobre da Babilônia da Bíblia, mas de qualquer forma o assunto aqui é outro!

Ninguém nem fala mais no governo Dilma e no manifesto do domingo, porque as pessoas estão mais preocupadas com o beijo da Fernanda Montenegro. O que mais me irrita nisso tudo é o seguinte:
A novela fala de traição, mortes, roubo, enganação (no caso de uma atriz matar um cara, e colocar a culpa na outra), e isso ninguém comentou!

Agora vem com choramingos, por conta de um beijinho gay!! Ah me poupe...

Não vi nada que nunca tenha visto por aí na vida real. Mas o problema é que as pessoas estão de fato preocupadas é com a sexualidade da outra! Tenho medo do que esses puritanos fazem entre quatro paredes, e tenho quase certeza que perde para o filmes 50 tons de cinza!

Ah... e tem esse filme também, que por ser um filme heterossexual e normativamente fálico, ninguém reclama, todos assistem e acham o máximo! Porque é "normal, o homem comer a mulher e bater nela"!

Já estão criticando a rede Globo porque acham que essa novela vai transformar sua família toda em homossexuais... cuidado heim?! Burrice pega e quando entranha, não sai fácil!

Se você é um daqueles que acha que vai virar gay porque viu um beijinho inocente daquele entre as duas senhoras, melhor desligar a televisão e correr pro porão, porque isso só pode ser medo de virar a casaca e sair por aí beijando todo mundo na boca!

Eu digo inocente, porque vi a pureza de ambas, o carinho como aconteceu e a naturalidade que passou, que só uma atriz como Fernanda Montenegro, conseguiria fazer!!! Lindo de se ver.

Será que é tão difícil assim para este povo se segurar a vontade de soltar a franga, para se incomodarem tanto com a sexualidade alheia? É tão complicado assim, aceitar que tem gente que gosta de abacaxi enquanto você gosta de chuchu?!

Fico babilonizado quando esses heteronormativos me vem com o discurso ensaiado de que "respeita o homossexual" mas na hora que vê uma cena dessa, fecha os olhos, diz que ficou com nojo, e ainda fala que "está amarrado em nome de Jesus"!
Vai pro inferno com esse respeito! E para de mencionar Jesus em vão, que você não é digno nem de falar o nome dele.

Isso não é respeitar: É ser idiota! É se enganar e tentar enganar aos outros.

Respeitar, é conviver com isso, mesmo sem ter que fazer igual. Respeitar é olhar para os olhos de um NEGRO, NORDESTINO, GAY, INDIO, POBRE e ver um SER HUMANO, com dignidade, e AMÁ-LO da forma como ele é!

Isso é respeito, e todo o resto é HETERONORMATIVIDADE, de uma sociedade hipócrita, impositiva, e corrupta!

Sim... é corrupta também porque reclama da presidenta, com um discurso de ódio, quando na verdade trata mal o seu vizinho porque ele ama de uma forma diferente da sua! E que certamente apoia aquele candidato que vê o homossexual como escória só porque não ama da mesma forma que você.

Eu vejo todos os dias gente falando que quer ver a Constituição sendo aplicada, mas esquece dos trechos da Constituição que fala que "todos são iguais perante a lei, independente de credo, sexo ou religião", porque quer ver a todo custo, a extinção de pessoas que amam de outro modo, que nasceram em outro estado ou país, ou tem um credo diferente, ou a cor da pele mais escura que a sua!

Isso é hipocrisia!
A meu ver nem deveria existir leis que defendessem GAYS, NEGROS, NORDESTINOS, CRISTÃOS, ou quem quer que seja, porque apenas a Constituição deveria bastar para botar um fim nessa intolerância e transformar todos iguais.

Mas o ser humano que não consegue conviver com a diferença sem apontar o dedo e sem criticar, é porque merece o governo que tem!
Sim!!! Estou revoltado porque não é justo você ver tanta coisa errada em um país, tantos crimes acontecendo à luz do dia, pessoas usando droga na porta de sua casa, assaltando e roubando pessoas que trabalham para se manter, e observar que existe pessoas de mente medíocre reclamando de um beijo gay na novela, achando que isso vai desvirtuar a família!

Não gostou do que escrevi: Me faz um favor: ME EXCLUA DE SUAS REDES SOCIAIS. Caso contrário, me faça dois: Avisa que não gostou e eu mesmo faço isso por você!

Beijo pra quem quiser!!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MINHA MORTE, e MINHA “RESSURREIÇÃO”

Caros amigos: hoje eu morri. E enquanto estive morto desejei não ter nascido. Isso tudo porque conheci o Haroldo.
Ontem a tarde (03/09), fui ao oftalmologista, sozinho, dirigindo.
Após a dilatação dos olhos, fiquei impossibilitado de dirigir, pois perdi a visão periférica por pelo menos duas horas e precisei aguardar até que a visão fosse reestabelecida em condições seguras que eu pudesse voltar para casa.
Fiquei sentado no banco da praça em frente a igreja no largo do Rudge Ramos, (São Bernardo do Campo), e se aproximou de mim, um rapaz alto, quase dois metros de altura, entre 25 e 30 anos, meio aloirado, magro, não malvestido, mas sujo. Muito sujo!
Já comecei a ficar desconfiado, com esse cara se aproximando de mim – achando que fosse um desses usuários de drogas que pedem dinheiro na rua. Quando ele se aproximou, me desarmou com seu tom sereno e triste:
“Moço, você tem condições de me ajudar a comer hoje? Eu fui expulso de casa no sábado, estou com fome e não tenho o que comer...”
Juro que minha reação foi nenhuma! Fiz cara de “como é?”... ninguém nunca tinha me parado na rua para pedir comida, desse jeito... Eu sou do tipo sistemático, que nunca dou ajudas em dinheiro na rua – primeiro que nunca ando com dinheiro, outra que nunca tenho, e defendo que assistencialismo aplicado de forma incorreta, vira parasitismo.
Mas a verdade, é que este caso foi mais complexo. Ele poderia ter falado qualquer coisa, mas disse: “fui expulso de casa”.
Me vi obrigado, a fazê-lo contar um pouco mais da história: Pasmem com a história do rapaz.
Vou colocar todo o trecho entre aspas, pois a história dele está descrita com minhas palavras: “meu pai, descobriu no sábado que eu sou ‘viado’, e depois de uma grande discussão com minha mãe, me colocou porta a fora de casa. Eu fui para a casa de uma tia, mas também não me quis lá, porque disse que eu poderia ‘mexer’ com os meus primos. Daí eu estou aqui, eu ganhei aqueles cobertores ali, e eu estou dormindo na porta da igreja, que é coberto e não chove”.
- Qual o teu nome, cara?- Perguntei.
“- Haroldo”.
Neste instante eu morri. E desejei não estar ali para viver isso. Fiquei tão sem ação, que não sabia se pagava um cachorro-quente para ele, ou se o levava a um restaurante para uma refeição decente.
Ele não aparentava ser usuário de drogas, não tinha o linguajar característico da periferia, não tinha traços rebolativos, que o caracterizasse um homossexual, e mesmo que os tivesse, como talvez alguns achassem que deveria, não justificava. Ele apenas não compartilhava da opinião do pai, que queria que ele gostasse de meninas.
Eu abri o jogo que não tinha dinheiro, mas poderia levá-lo ao supermercado em frente, para comprar algo para ele comer. Foi a única coisa que me veio a cabeça. Ele topou, meio sem jeito, porque sabia que não estava tão apresentável para entrar no supermercado.
No supermercado, pedi que ele pegasse alguma coisa para um lanche. Ele pegou pão, e perguntou se podia pegar mortadela, neste momento, me segurei para não me desmontar em lágrimas...
Pegamos pão, presunto, queijo, panetone, (eu acho que todos gostam de panetone, tanto quanto eu), uns biscoitos doces e salgados, comida pronta, dessas que vendem no supermercado com frango, e arroz, suco, refrigerante suficientes para uns dois lanches, pelo menos já garantia o jantar.
Durante estas compras não pude deixar de perguntar um pouco mais sobre a sua “expulsão”, pois não conseguia me conformar com o que tinha acontecido ao Haroldo. Também não condenei seus pais em nenhum momento, pois embora tenham cometido uma atrocidade, era dos pais dele que a gente estava falando. Eu não tinha o direito de falar mal de seus pais.
Alguns momentos, ele falava com lágrimas nos olhos, que não tinha culpa de não gostar de meninas, e que ele até entendia que o pai dele, tenha feito isso com ele, porque talvez ele fizesse o mesmo se um filho seu dissesse que era “viado”. O que conotava que nem ele mesmo se aceitava, o que é um risco muito grande, porque quando alguém não aceita a sua condição, provavelmente não importa muito com o que lhe aconteça no futuro.
Passamos pelo caixa, paguei o lanche, e Haroldo me agradeceu com tanta felicidade, que voltei a viver. Voltei a viver por ter conseguido trazer a alegria a este rapaz, com algo tão pouco, perto do inferno que ele estava vivendo.
Pus-me a refletir depois, sobre a atitude dos pais deste menino, jogar um filho na rua, pelo fato de ele gostar do diferente.
Não lhe perguntei, o que motivou a expulsão, não fazia sentido remoer a ferida. Apenas lhe disse que sua condição não era motivo de vergonha, que o que ele é, deve refletir em seu caráter.

Despedi-me de Haroldo, vim para o estacionamento e entrei no carro. Não consegui segurar as lágrimas por uns dez minutos, imaginando o que seria dele, o que poderia lhe acontecer ali... jogado na rua, sem um teto, sem um direcionamento, sem o apoio da família, dos pais – apenas por pensar diferente, por ter gostos diferentes,  talvez por não ter tido a oportunidade de mostrar para a família a tempo, que a sua condição sexual não determinaria o que ele verdadeiramente era!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Adeus FACEBOOK


Hoje eu resolvi deletar o perfil do facebook...
Algumas pessoas perguntaram o motivo, e querem a todo custo que eu explique. 

Sinceramente tentei a todo custo explicar que não é explicável, e nem preciso explicar, se bem que faço questão de dizer que sai porque cansei!

Não gosto da falsidade do facebook e já estava demorando para eu por um basta nisso! As pessoas estão habituadas a olhar as fotos, curtir uma ou outra, mas não se dão ao trabalho de escrever algo para o amigo que escreveu, além de piadinhas muitas vezes de mal gosto. 
Dizem que não tem tempo de escrever um e-mail, mas ficam horas navegando pela internet... não manda uma mensagem no bate-papo, mas fica por horas olhando e re-olhando postagens antigas para passar o tempo!

As pessoas ficam horas e horas curtindo posts dos outros, mas não se dão ao trabalho de ler uma postagem quando é maior que 10 linhas, porque tem preguiças de pensar, especialmente quando a postagem não tem fotos!

As pessoas passaram a ser falar pelo facebook, como se fosse a única forma existente de se falar! E isso me incomoda um pouco.

Quero pensar na minha vida de outra forma, quero ler alguns livros que estão na fila, quero dormir mais cedo, quero poder escrever um artigo de cinco páginas sem parar uma vez se quer para responder algué criticando uma foto ou uma postagem, quero deixar um pouco mais de lado o meu celular, quero dormir sem o barulho de mensagens chegando e quero poder dizer: "- não, eu não tenho facebook". 

Bom, vou me dedicar a realidade física, e não a virtual, terei mais tempo para ver TV nos finais de semana à noite, e enfim, vou dar um tempo dessa coisa toda!

Se será eterno ainda não sei. Pode ser que demore um mês, dois, três, a eternidade...
Os meus amigos deverão entrar em contato comigo por e-mail... mas não entrarão... 

Deixei no mural antes de sair, o e-mail e meus dois blogs, e tenho certeza que nenhuma pessoa das que lerão aquela mensagem entrará em contato, pois essa geração não manda e-mail, apenas usa o facebook, e logo podem se despedir de mim! Não me fará muita falta.

Aliás, tenho tanta coisa para dizer, e tantos motivos para dar que me limitarei a dizer: CANSEI, DESTA MERDA!

sábado, 18 de janeiro de 2014

“Assacinaram” o português!

Um amigo chegou para mim e perguntou: 
- Será que o Brasil tem jeito?  
Minha resposta: - Jeito de quê criatura? Isso aqui não tem jeito mais não! E eu respondo o porquê.
A educação está um lixo! E não estou falando de educação superior não (que também está) estou falando da educação básica!
Não se ensina mais nas escolas, como o cidadão se posicionar para cantar o Hino Nacional. Não se conhece mais posição de sentido! Não se ensina mais que quando alguém falar, você precisa esperar ele terminar para depois começar, que quando um burro fala o outro murcha a orelha!
Não vejo mais nas escolas se ensinar advérbios, conjunções, interjeições. Análise morfológica, análise sintática, tempos verbal, vozes do verbo!!!
Pergunta a um aluno de 8ª série se ele conhece qual a regra gramatical que diferencia "x" de "ch". Se ele souber eu dou minha cara à tapas!
Os professores não ensinam mais isso, porque nem eles sabem muito bem o que tem de ser ensinado... a proposta pedagógica está cheia de falhas e lacunas, e os alunos não aprendem porque o tempo é preenchido com tanta recreação que não tem atividade prática!
Pergunte se as escolas ensinam hoje em dia, o que é respeito, cidadania? Aliás, muitas até tentam ensinar, mas o aluno que mora na favela e não coloca isso em prática, prefere ameaçar o professor, que por medo de confrontar deixa de ensinar e vira território de ninguém.
O aluno hoje prefere ficar em casa a ir procurar emprego antes dos 18 anos, porque diz que "é de menor" e quando fica "de maior" prefere ficar na rua o dia inteiro!
As crianças começam a usar a internet para fins ilícitos desde pequenas, e escrevem em suas redes sociais, palavras que não sabemos se são palavras ou paráfrases! Agora pergunte para um aluno de 3º ano do Ensino Médio de ele sabe a diferença?! A resposta será não. E o professor sabe o que é isso?
Eles sabem o que são os falsos cognatos, as epopéias, prosopopéias, mesóclises, próclises e ênclises?
Eles conhecem Evanildo Bechara?
Agora me digam que tem jeito! A nossa televisão está poluída com porcarias, novelas incultas, com preconceitos idiotas, e mentiras absurdas! E é isso que as crianças são estimuladas a assistir!
Os nossos políticos são cada vez mais corruptos, porque o próprio sistema beneficia esses ladrões do povo! Quando um político rouba, e isso por algum motivo vem a ser revelado, leva pelo menos 10 anos para acontecer um julgamento burocrata, que não aplica a punição efetiva nenhum desses larápios. Punição essa que ainda é abrandada pela própria lei que foi feita para uns apenas! 
Porque não aplica-se uma regra de “arrancar a cabeça” – literalmente, desses que deixaram morrer à míngua tantas pessoas por terem desviado dinheiro da saúde? Não seria também uma forma justa de compensar a morte desses que minguaram por atendimento e não tiveram? Em vários países do mundo é assim!
Ah! Os Direitos Humanos... eles nos impedem de sermos justos ao extremo.
O pobre hoje em dia, é preso porque roubou um pão pra comer, enquanto um político desses faz estardalhaço porque bebeu água de torneira! Ele é um coitadinho...deveria deixar sem água para o resto da vida! Até morrer ressequido igual ao gado do nordeste que morre por falta d’agua todos os anos, na esperança da transposição de um rio que nunca saiu do lugar há mais de 10 anos com obras inacabadas.
Os Direitos Humanos, são para os bandidos, enquanto os pobres que estão na rua com fome, enquanto pessoas são discriminados em porta de hospitais esperando vagas para serem atendidos, são deixados às traças!
O Brasil tem jeito? Não! Não tem...
E nem terá! O Brasil não terá jeito, enquanto os donos do poder continuarem sendo esse bando de gatunos, que aumentam os próprios salários na surdina, que usam da máquina pública para enriquecimento próprio, e deixa o estudante de escola pública, a mercê de capital humano intelectual para ensiná-lo!

Mas porque isso não acontece? Não é interessante educar o povo, porque quem sabe demais é assassinado! Igual ao português nas postagens do Facebook, afinal de contas, é “normal escrever errado”... é apenas informal! Acontece esse mesmo assassinato com todos que sabem demais...
Essa prática de matar o sabido estende-se pela favela. Por qual motivo as pessoas não contam o que viram ou ouviram nas madrugadas escuras, nas ruas, nos becos e  nas tocas?  
Porque elas sabem, que se contarem hoje, amanhã não estarão aqui para contar as mesmas histórias!
Quem sabe demais, não pode ficar entre nós! É a lei da sabedoria!
Os estudantes de Universidades não querem mais saber de estudar, querem saber de botecos, de drogas, de matar aula! Por que? Porque é legal fumar maconha, é interessante. É uma "vibe" da hora... depois da maconha passa para o crack, cocaína... e por aí vai...
O Brasil não vai ter jeito! Estamos com 200 milhões de habitantes e mais de 150 milhões – jogando por alto - não fazem nada para mudar, aqueles poucos que querem mudar entram para a política e lá se corrompem, porque o dinheiro é algo que suja a mente humana, e penetra até fundo nos poros de forma que não existe limpeza que os restaure!
O Brasil não vai mudar, porque os "rolezinhos" como chamam esses movimentos modernistas estão em alta! Porque agora é normal, quebrar tudo na rua... fazer baderna mesmo quando o assunto é sério e ainda existem pessoas que acreditam nesses “rolezinhos”, como liberdade de expressão!
O único jeito que eu vejo para o Brasil, é a desconstrução - é reinventar um país, do nada! E como isso não vai acontecer aqui, porque já está muito impregnado, vamos permanecer com nossas vidinhas, até que um braço forte tome as rédeas, e por meio de uma chuva de fogo e enxofre destrua a tudo e a todos, e o Espírito de Deus voltará a pairar sobre a face das águas! E começará outra criação... talvez sem Adão nem Eva!

Fui extremista?
Falei mentira?
Não gostou, coma menos!

domingo, 10 de março de 2013

REMEMBER, MAIO DE 2007

Resolvi fragmentar o meu diário e copiar partes que me consumiram ao longo de vários anos. Hoje amanheci saudoso, nostálgico talvez, mas nada que me faça sofrer. Uma das minhas andanças, cujo momento está arquivado na memória em um pedaço de papel, resultou nesse monólogo...

Outro dia!

No dia seguinte acordei cedo e disposto a tomar um café como um Rei. Desci às 07h30 e fui para a sala do café. Comi pão com manteiga, queijo branco, fatias de presunto e queijo mussarela, torradas com geléia (na época a reforma orográfica ainda não era cogitada), de amora, iogurte com mel e café com leite, finalizando com um copo de suco de melancia, um dos meus favoritos.

Subi para o quarto, onde liguei o ar condicionado e me senti um doutor, lendo para o espelho. Após isso o celular tocou e então identifiquei o número, que até então não sabia de quem era, mesmo já tendo recebido duas ligações - mas que havia pegado do seu pai.


Mas de qualquer forma, marcamos de  nos encontrar no centro, no shopping Bourdons, o antigo Shopping NH. Estávamos decididos desde antes que iríamos assistir ao Superman - O Retorno, que havia sido lançamento, um mês antes. 


Para nossa surpresa neste cinema, não tinha este filme em cartaz e para que não perdêssemos a viagem, acabamos assistindo o filme do Homem Aranha 3. Se bem que olhando para a situação, seria bem mais interessante se tivemos ficado fora da sala de cinema, olhando as pessoas, fotografando nosso papo bobo, falando do passado, e de presente e futuro e se inteirando da vida do outro. Pois quando saímos da sala já era por volta de 18h35, quase na hora do último ônibus a cidade das Flores era 19h10. Precisamos nos despedir, e eu fui rapidamente jantar para que não ficasse com fome a noite inteira, vez que o hotel não dispunha de serviço de refeição noturna.

Pedi um prato rápido que até então eu nunca tinha ouvido falar: "A la Minuta"! De fato ficou pronto em 1min e eu comi em três. Estávamos com pressa, e esta seria a última vez que nos veríamos desta viagem ao sul, polo central de minha vida até o momento tão sem significado.Separamo-nos e eu andei a pé seis ou sete quadras até o hotel.


Chegando lá fui direto pro banho, descansar, hidromassagem, e depois aquela cama, sem tamanho, macia, com travesseiros e cobertores de plumas de gansos, e ar condicionado no calor escaldante de maio sulista, com o chão coberto por um carpete importado de algum lugar do sul do país.


Foi o melhor banho que já tomei na minha vida...

domingo, 13 de maio de 2012

O DIA DAS MÃES NÃO É SÓ HOJE

Mãe, mesmo que eu quisesse eu não conseguiria colocar em papel o quanto a senhora é especial.

Fica até um português bonito, chamando a senhora de tu, de você, para rimar com as palavras mais bem procuradas e selecionadas no dicionário. Mas eu prefiro hoje, me juntar aos tantos milhões de milhares de pessoas que acham hoje é dia das mães e fazer esse singelo monólogo para dizer que te amo, na mesma linguagem que sempre conversei com a senhora, e com o mesmo respeito e humildade que fui criado.
A senhora não é você! A senhora não é Tu! E mesmo sendo a SENHORA, é a mulher que eu mais tenho intimidade, devoção, respeito, carinho, uma mistura de todos os sentimentos que existe, e que denominamos amor, por não existir um adjetivo que descreva.
O seu dia é todo dia! E não somente hoje!
Todos os dias que eu lhe telefono, escuto a mesma voz que reconhece a minha, estando rouco, sem voz, sorrindo ou chorando com apenas com uma palavra:
- Mãe?
Isso não tem preço.
Vou usar o português mais coloquial que posso, pois é nele que converso com a senhora todos os dias e não importa onde esteja, é por meio dele que eu consigo, ou tento expressar tudo o que sinto.
Mamis, a senhora é a única pessoa na face da terra que me ama incondicionalmente, apesar de tudo o que sou, do garoto emburrado, mal criado, estressado, chato, irresponsável, inconsequente... a senhora é a única pessoa no mundo, que não me critica, por qualquer coisa que eu faça, mas que me apoia, mesmo sabendo que vou quebrar a cara, para não me decepcionar. Os seus conselhos me levam a refletir, e mesmo que eu não os aceite, mesmo assim, a senhora está lá, rezando do seu jeito que tudo de certo, mesmo sabendo que não vai dar para não me ver sofrer.
Não consigo ver outra pessoa, que ficou acordada noites, enquanto eu tinha febre, quando eu chorava, quando eu mais precisava, e mesmo que não tinha motivos, mesmo com calor, ia me cobrir a noite, para não sentir frio e quase nunca eu via... Aquele zelo excessivo, e aquele cuidado desnecessário, que mesmo de graça e que incomoda a gente, a senhora tem!
Quantas e quantas vezes, não ficamos esperando chegar a hora de a senhora ir embrulhar a gente antes de dormir? O toque das suas mãos no lençol no cobertor, nos dava o sono tranquilo e a paz necessária para dormir o sono tranquilo... a senhora sacudia o lençol e colocava sobre nós de uma forma tão simples e tão humilde, que nem um ser existente conseguiria fazer igual.
Em trinta e um anos de minha existência, nunca vi jamais, a senhora me maltratar com palavras e me magoar a ponto de fazer-me chorar, enquanto eu pelo contrário, quantas vezes eu não fiz isso, agindo como um inconsequente, achando que minhas duras palavras não fossem machucá-la? E nem por isso, a senhora deixou de me amar, e jamais em nenhum momento, revidou a essas palavras, mas chorou calada, e isso hoje, é algo que eu queria poder voltar ao tempo e dizer que fui idiota e inconsequente em fazer isso. Isso já faz tantos anos, e para nós os filhos, isso pode martirizar mas a senhora já esqueceu disso, e as vezes faz de conta que nem existiu essa cena!
Existe amor maior que isso?
Não adianta eu escrever um texto de mil linhas ou de cem páginas, não conseguiria dizer o quanto o hoje sei e reconheço que errei contigo, e que esse amor, sempre me perdoou por tudo e é tudo o que tenho de mais sagrado! Todos amamos a todas as coisas e as pessoas, mas o amor que sinto pela senhora, é algo sem nome e sem tamanho, porque simplesmente existe.
A distância hoje que nos separa não é capaz de diminuir em 1% o amor e a admiração que tenho pela senhora. Uma mulher que criou tantos filhos e deu carinho a todos, reconhece a todos pelas manias, pelos costumes, por data de aniversário, por idade, e conta historia de todos como se fosse a história mais recente que já houve.
É com lágrimas nos olhos que eu escrevo hoje esse rabisco sem rascunho e sem revisão, pois se eu fosse falar isso para a senhora pesssoalmente não teria tempo de corrigir, pois uma vez ditas as palavras não voltam, e o que eu mais queria te dizer, é a repetição do que faço questão de dizer todos os dias: Eu te amo!
Hoje eu reforço esse fala: Eu te amo mais do que tudo que já amei, e que eu possa amar um dia. E me recuso a ter um amor maior do que esse por quem quer que seja, pois ninguem jamais poderá ser para mim um dia metade do que a senhora é, já foi e sempre será.

domingo, 27 de novembro de 2011

A VISITA AO CEMITÉRIO

O túmulo do Soldado Anônimo

Estou em São Paulo há 16 anos, e nunca tinha visitado um cemitério. Não em condições de visita. As duas únicas vezes que estive foi para cumprir protocolo, ou melhor, para fazer papel de educado, pois foi meio a contragosto. A situação exigia pelo fato de conhecer os defuntos, não necessariamente para ir prestar homenagem.

Hoje, estive em um Congresso no Pavilhão Vera Cruz, e na volta resolvi ao passar em frente ao Cemitério Vila Euclides e entrar para ver como era.

Estava meio deprimido, me sentido só. Estive doente por dias a fio e não tive visita ou telefonemas, de forma que, quando a gente está dodói, parece que os sentimentos se intensificam e a carência se aflora. Não namoro há muito tempo, o que se torna um problema quando a gente vive só há muitos anos, e não tem quem faça um chá ou lhe pegue um remédio quando não se consegue levantar da cama.

Ando me sentindo meio só, meio sem ninguém por perto. E não é só o sentimento, é o reflexo da minha vida.

Não tenho família próxima, não tenho tantos amigos, - os que tenho não são amigos, para tanto, não tenho companhia para sair, não tenho pessoas que visite a minha casa. O que é pior: não recebo ligações e nem e-mails, além de cutucadas no facebook, o que me estressa, porque detesto ser cutucado, ainda mais por pessoas que não se dão ao trabalho de conversar, apenas cutucam, como se isso quisesse falar alguma coisa.

Bem, entrei no cemitério e fui caminhando pelas quadras, pelas sepulturas perpétuas me perguntando o que vem a ser isso...

Vi túmulos bonitos, feios, deteriorados, limpos, sujos, lavados, empoeirados, e vi que mesmo dentre os mortos existe preconceitos e diferenciações. Até onde sei, o cemitério é público, e ao contrário de muitos outros, este cemitério não tem aquele lugar destinados e enterrar no chão, pessoas que não tem túmulos.

Todo cidadão sãobernardense tem direito a uma sepultura em algum de seus cemitérios, mas muitos deles estão construídos, como se não coubesse mais ninguém. Tinha túmulos limpos, espelhando enquanto o do lado estava empoeirado. E o pessoal da limpeza da prefeitura estava sobre um e outro limpando... quase perguntei, porque eles não limpavam a todos, já que estavam lá para isso. Mas me contive. Não era momento para contendas!

Lá dentro a paz reina! É um silêncio que em nenhum lugar da cidade tem igual.

É o local ideal para meditação. Onde ninguém lhe perturba e nem o canto dos pássaros é alto o suficiente para interromper os seus pensamentos.

Cada quadra que andava, percebia um ornamento, uma lembrança de saudade, e um sincero sentimento no ar. Como se as covas e as tumbas se comunicassem, e conversassem entre si, num tom de tristeza e paz.

Toda a paz do mundo reinava naquele lugar.

Encontrei um túmulo que me chamou a atenção. Li na sua lápide: Túmulo do “soldado desconhecido”. Uma homenagem da Prefeitura de São Bernardo aos que morreram no cumprimento do seu dever, na revolução de 1924.

Fiquei alguns minutos diante do túmulo desse soldado, imaginando como deve ter sido a sua morte e o seu enterro, sem família, sem amigos, sem ninguém para lhe prestar homenagem.

Chorei por cerca de trinta minutos, de pé ao lado desse túmulo.

Naquele momento, as lágrimas que me saiam dos olhos, eram na verdade, a expressão de toda a dor que estava sentindo, como se tivesse perdido um ente querido. Meu coração apertou, a garganta trancou e me vi inerte ao lado desse túmulo construído em tijolo, sem flores, sem velas e sem nenhum sinal de atenção de família ou conhecidos...

Foi um momento de tanta dor e angústia, que não conseguia separar o sentimento de solidão, do sentimento da perda. Sentei-me ao lado do túmulo dele, e fiz uma prece a Deus.

Na minha prece, o meu pedido foi muito simples, - como fazia tempo que não pedia nada a Deus-, pois sinto que não devo ficar pedindo a Deus, coisas das quais eu consigo fazer, e me dedico a pedir coisas, que não são palpáveis.

Depois dessa melancólica visita, resolvi voltar para casa, e no caminho, comecei a pensar em tudo o que vivi nesta hora de visita. Resolvi que voltarei sempre que quiser pensar melhor. Sempre que necessitar meditar, pois naquele lugar senti paz e sinceridade, que nem o aperto no coração e o trancamento na garganta conseguiu silenciar. Lá se consegue sentir o verdadeiro sentido que a vida nos concede.

Fiquei meio deprimido, e fico imaginando, o porquê de todos me abandonarem. Não ando dando muita atenção a todos, mas ninguém questiona ou tenta entender os meus motivos. Do contrário, todos recriminam, ao invés de procurar entender os meus motivos, e tentar ajudar.

Me sinto órfão de carinho ultimamente, e me sinto de fato como o soldado desconhecido, por este fato talvez, tanto tenha me identificado com a sua lápide.

19 de novembro de 2011
Cemitério Vila Euclides, São Bernardo do Campo / SP

domingo, 16 de outubro de 2011

O Caos Aéreo Nacional

O feriado prolongado, o início do calor, o chegar do friozinho, o fim de semana perto... São vários elementos propícios para fazer aquela viagem. Aproveitar para rever os parentes que moram longe, conhecer o Brasil, com preços mais baixos, sim porque não estamos ainda na “alta temporada”.

Uma maravilha, não fosse a operação padrão. Operação padrão? – Como assim, não existia padrão nos controladores de vôo antes do acidente com o Boeing 737? Tantas questões, nenhuma resposta. Até agora ninguém sabe ao certo o que aconteceu, apenas se sabe que estamos mais uma vez pagando uma conta que não nos pertence.

Nas rodovias sobram buracos, imprudência, não vale a pena arriscar e perder o feriado de finados, tornando-se mais um. Numa dessas curvas da estrada de Santos ou de qualquer outra por aí.

Ar está fora de cogitação. Terra? – Sim, ainda existem algumas ferrovias. Pena que não vão a lugar nenhum porque nosso trilhos “made in brazil” foram feitos em forma única, não são compatíveis com os modelos padrão mundial, por que? – Vai saber. Quando foram construídas as ferrovias brasileiras, os trilhos foram feitos em outra bitola, deve ser o padrão “Tabajara”. - Acho que não vai dar, até porque essa ‘coisa moderna’ já não funciona na maioria das cidades brasileiras.

Por terra e ar, nem pensar. Água? Sim, mas as cidades que não possuem transporte pluvial? Segue a indagação...
Eu ainda sou adepto de voar sem ter asas, mas do jeito que a coisa anda no nosso espaço aéreo dá até medo. A mais nova é que a mania de fundir as companhias aéreas está se alastrando... a VASP sucumbiu-se, a BRA foi pro “BuRAco” a VARIG que eu nunca achava que fosse falir, foi engolida pela Gol, a Ocean Air virou Avianca e agora querem fazer mais um GOL com a Webjet!

Diante de tudo isso, só nos resta apelar a Cristo! O país está parado, porque as filas nos aeroportos não andam, as aeronaves ficam sem manutenção, a Infraero está prestes a ser entregue a iniciativa privada, para mais uma vez a privatização tomar contra do restinho que falta no país. Dá até medo de comprar uma passagem aérea, porque quando vemos aquelas promoções de R$ 10,00 de volta, os sites até congestionam, pois todo mundo quer voar, mesmo sem ter asas, mas quando chega no aeroporto, precisa esperar horas para embarcar! Dá pra dormir com toda essa turbulência? – Você consegue dormir com um “barulho desses?”

O horror nos condena. Até a sétima maravilha do mundo moderno passa batida nessa. – Moderno? – O que é moderno? Não possuir um sistema que possa controlar o nosso espaço aéreo? – Não ter a dignidade de assumir que não existem hoje, condições de se trafegar em segurança no céu?

A modernidade é tanta, que daqui uns dias voltaremos ao tempo das carroças. Sim, como na época dos “morcegos”, que recolhiam as fezes nas casas de madrugada, tão grande é a nossa tecnologia aérea, mas, sobretudo, a nossa incapacidade de admitir que estamos errados e não ferrados como fazem na surdina os palhaços do circo do poder. Financiados por nós, que pagamos para ver o espetáculo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Um Nordestino em São Paulo

Arranjei numa padaria o meu primeiro emprego. Tabaréu da roça nunca sabe o que é nada e por nunca ter escutado tamanha peripécia pensava que toda dúzia era de ovo.

No balcão da padoca o distinto cidadão olha para minha cara de baiano retardado recém chegado do nordeste e diz:

- Meia dúzia por favor?!

- Me desgracei na pilha de saquinhos... saquei seis ovos, e para impressioná-lo, os mais bonitos, grandes e brancos da cartela pensando que estava fazendo um FUTURÃO!!!

O coitado do cliente fidelíssimo de tantos anos comprando nessa padaria, viu, mas nunca lhe passou pela cabeça que eu estava pegando para ele esses tão maravilhosos ovos! Pois numa padaria se pede meia dúzia só pode ser de pão.. . pensava ele. Ledo engano.

Depois de 30 segundos de labuta para escolher o melhor ovo para o simpático cliente, volto eufórico por ter conseguido essa façanha em tão pouco tempo de trabalho e com a maior ingenuidade do mundo questiono:

- Algo mais senhor?
Ele fala:
- Eu pedi seis paezinhos.
Eu lhe digo me fazendo de mais rogado ainda:
- Desculpe-me senhor eu não havia compreendido (com o melhor português que alguém que ocupava o meu cargo poderia utilizar).

Me dirigi mais uma vez a pilha de sacolinhas apanho uma que cabe os benditos seis pães, os empacoto e lhe pergunto:

- Algo mais senhor que eu possa ajudá-lo?
Ele responde meio com cara de ué...
- Eu só pedi meia dúzia de paezinhos...e eu completei:
- Não. O senhor pediu meia dúzia e eu lhe apanhei os ovos, e agora mais 06 paezinhos que acabei de apanhá-los.

O coitado do freguês, cara com cara de retardado, olhando para mim com cara de besta ao quadrado, não quis contestar muito e nem relutar pois de certo com toda a certeza eu iria convencê-lo a levar também os ovos que ele nunca havia pedido.

O moço, inquieto me olhou com toda a paciência do mundo.
- Moço...
Eu lhe interrompo:
- Sátiro!!!
Ele:
- Pois bem Satiro.... (ainda falou errado), eu não quero mais a meia dúzia de ovos, que eu lhe pedi. Agora eu só vou querer os 06 pãezinhos, pois lá em casa eles não gostam de pão com ovo.
Eu com a cara de balconista inteligente respondo:
- Não faz mal senhor... eu os recolho.

O coitado sai com o saquinho e seus 06 pãezinhos, enquanto eu com cara de rogado também saio com meia dúzia de ovos, e antes que qualquer pessoa visse, eu numa velocidade de avião... pondo em prática o que aprendi desde criança, lanço a meia dúzia de ovos no lixo. Acreditando que já haviam me causado transtorno demais preferindo assim que ficassem bem longe de mim, quando na realidade eu acreditei piamente que por já ter sido usado uma vez... deveria ir para o lixo e não para o meio dos ovos virgens até então nunca ensacados...

E por pior que pareça até ainda 02 meses depois quando alguém pedia meia dúzia eu dizia meio que revoltado:

- De ovos ou de pão?

Confabulações...

Eu poderia falar sobre muitas coisas.. inclusive sobre a nova febre mundial da internet, das muitas manhãs que passei vendo a chuva cair lá fora, enquanto da janela pensava no momento certo de sair e sujar o pé na lama da fazenda...

Poderia citar um ou dois versículos bíblicos e conferenciar sobre eles, poderia ainda contar história do meu tricentésimo aniversário, ou da primeira ou segunda emenda constitucional sobre o abordo, a criminalidade e assuntos polêmicos.

Tirei o dia, ou melhor, a noite para falar de mim. Do que me vem acontecendo na última semana. Há mais ou menos cinco anos e meio, terminei um relacionamento que durou cerca de dois anos, e que me deixou sequelas muito profundas. Isso não é segredo para ninguém, ou quase ninguém. Daí para cá nunca consegui arranjar alguém que me fizesse sentir a mesma coisa, ou algo melhor;

Recebi ligações de ex-namoradas, com filho, sem filho e me animei por um momento, e do nada de repente estava eu quase entrando na mesma “fria” de novo.

Ri à beca quando descobri que eu não queria de fato isso, mas que seria plausível me dar a chance de tentar ser feliz... tentei, tentei, e nunca desisti de encontrar a felicidade.

Faz uma semana que eu estou perdendo o sono, pensando no que poderia ser, e estou gostando de trocar ideias, conversar, desabafar. Faz uma semana que tudo começou e pela minha sinestesia toda, está sendo uma ideia totalmente reconfortante, por estar conhecendo uma pessoa tão inteligente, madura, capaz de me mostrar um monte de coisas que estavam perdidas novamente em minha alma.

Isso não é amor. Amor é outra coisa, mas é um sentimento sem nome, que não tem descrição ainda, e que causa um pouco de confusão. Mas assanha as minhas ideias, mexe com minha curiosidade, abala as minhas estruturas e me faz sentir totalmente humano de novo. Eu gosto de sentir isso e não tenho medo nenhum de deixar a porta aberta para a entrada de novo tempo.

Pela manhã é a minha melhor hora para pensar, e isso está mudando. Está sendo uma hora que eu uso para dormir, porque já pensei bastante na hora que deito, não pelo fato de estar sozinho, mas é talvez pelo fato de querer estar junto. Entendo que existem complicações, vários obstáculos pela frente, mas não pretendo desistir, pois isso não é de mim...

O Brasão dos Sátiros